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Breve história da língua francesa!


O francês é uma língua que, como o português, tem por base o latim. Só que o francês tem, juntamente com esta base latina, o "gaulois", o gaulês, o "francilien", o "picard", o "breton" dentre tantos outros dialetos existentes naquela região.

A região onde agora é a França, antes chamada de Gália, por conta do povo gaulês, se localiza bem no meio do continente europeu, por esse motivo falamos que a França está "au cœur de l'Europe" (no coração da Europa). Como ela se localiza no meio da Europa, o francês foi influenciado pelos idiomas de seus vizinhos.

A diferença de pronúncia era tão grande, devido justamente a influência dos “vizinhos”, que se distingue duas bases para a língua francesa: a chamada "langue d'oïl" e a "langue d'oc".
A "langue d’oïl" era falada no Norte da França, e esta língua se desenvolveu e virou o francês moderno; já a "langue d'oc" era falada no Sul da França, e ela se transformou no que comumente chamamos de "Provençal".

Mas por que estes dialetos são chamados de "langue d’oïl" e "langue d'oc"?


A palavra "sim" ("oui" em francês moderno), antes era uma frase completa! A frase em latin "hoc ille est", que pode ser traduzida por algo como "aqui está" ou "isto é", era usada para dizer "sim". E aí é que entram as influências geográficas. No norte as palavras eram pronunciadas mais nasaladamente, com sons mais fechados, muito por conta da influência da Alemanha e da Inglaterra, que possuem línguas também fechadas e guturais. Já o Sul da França tinha uma pronúncia muito mais clara e oral, por conta da Itália e Espanha, que tem idiomas igualmente orais.

Bom, por questões econômicas, políticas e culturais a língua do norte prevaleceu e foi escolhida para ser a "oficial", sendo assim foi ela que transformou-se e virou o nosso francês contemporâneo. É claro que um dos motivos da "langue d'oïl" ter sido oficializada foi porque esta era a falada em Paris, desde sempre pólo cultural e econômico.



Sendo assim, a "langue d'oc" caíu em desuso e se virou o “Provençal", um tipo de francês "caipira", se podemos assim dizer, com suas particularidades fonéticas, gramaticais e léxicas.

Vamos ver agora então uma "linha" das bases do francês:

Latim + francien + picard + anglo norman + romano (a evolução do latim da Itália) => langue d’oïl, que era o "francês antigo, e por sua vez, virou o => "francês medieval" e finalmente => Francês moderno e oficial.

Curiosamente, se analisarmos um texto em francês antigo ou medieval, veremos que a ortografia mudou bastante, mas que a fonética, não. Se lermos um texto em francês medieval fica até fácil identificar as palavras, entretanto, se só lermos sem pensar no som das mesmas, fica quase impossível "decifrar" o que está sendo dito.

Veja um exemplo de um texto no "ancien français" em comparação com o "français moderne":

Ancien Français : Piarot « Le cardinal est py qu’anragé conte lé Parisian a cause qui l’avon confrisqué sn’office »
Français Moderne : Pierrot « Le cardinal est plus qu’enragé contre les Parisiens qui lui ont confisqué son office. »

Ancien Français : Janin « Hé queul office avety ? »
Français Moderne : Janin « Hé quel office avait-il ? »

Ancien Français : Piarot « Je nan sçay par ma fy rian… »
Français Moderne : Pierrot « Je n’en sais ma foi rien… »

In.: Agréables conférences de deux paysans de St Ouen et de Montmorency (1650).


A língua francesa mantém muito de sua história, por isso ela é pouco flexível.

Para comprovar a sua grande história é só vermos a quantidade de tempos verbais existentes e suas declinações! Há mais "passados" do que "futuros".

- Indicatif -> Présent ; Passé composé ; Imparfait ; Plus-que-parfait ; Passé simple ; Passé antérieur ; Futur simple ; Futur antérieur.
- Subjonctif -> Présent ; Passé ; Imparfait ; Plus-que-parfait.
- Conditionnel -> Présent ; Passé première forme ; Passé deuxième forme.
- Impératif -> Présent ; Passé.
- Participe -> Présent ; Passé.
- Infinitif -> Présent ; Passé.
- Gérondif Présent ; Passé.

Por exemplo, o verbo "être": http://leconjugueur.lefigaro.fr/conjugaison/verbe/%EAtre.html

São 23 tipos de conjugações! É claro que, no dia-a-dia, não são usadas todas elas... muitas são bem raras mesmos, mas presentes na literatura, principalmente, antes do século XX.


É isso aí, bons estudos!

Au revoir!